As pernas moviam-se calmamente, ainda que o corpo demonstrasse a ansiedade estagnada dentro de mim. Os olhos vermelhos e as mãos trêmulas; tinha algo de errado. Os batimentos do meu coração podiam ser ouvidos a metros de distância, o que era um tanto perturbador. É incrível como tantos pedacinhos quebrados conseguem pulsar sangue com a mesma eficiência, não é? É, é incrível como você simplesmente não deixa de viver porque teu coração tá partido. Ainda que na minha mente tudo esteja tão dolorido, tão recente… Eu tenho que seguir em frente. Tenho que ser forte o suficiente para isso, e é exatamente o que eu estou tentando fazer. Podia ver meus lábios sendo contraídos numa tentativa falha de segurar o nervosismo… Podia ver toda a minha estrutura tentando arranjar uma maneira de impedir que a situação mexesse tanto comigo, mas coração partido é bobo. Por mais que tentasse — e olha que tentava — controlar toda essa dor que sentia, não conseguia. Fora de casa, na rua com pessoas, talvez soubesse camuflar um pouco disso; mas sozinha, no silencio escuro da noite, não havia como esconder. Derramava lágrimas e, ainda que fosse babaquice chorar por isso — era o que todos diziam — só eu sabia quanto doía; só eu sabia quanto tinha de aguentar e como era difícil. Mas sabia que tudo ia passar, que um dia não haveria mais dor. Só restava saber que dia era esse… E o quão distante ele estava do agora, do presente e do maldito adeus.
Nenhum comentário:
Postar um comentário