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As pernas moviam-se calmamente, ainda que o corpo demonstrasse a ansiedade estagnada dentro de mim. Os olhos vermelhos e as mãos trêmulas; tinha algo de errado. Os batimentos do meu coração podiam ser ouvidos a metros de distância, o que era um tanto perturbador. É incrível como tantos pedacinhos quebrados conseguem pulsar sangue com a mesma eficiência, não é? É, é incrível como você simplesmente não deixa de viver porque teu coração tá partido. Ainda que na minha mente tudo esteja tão dolorido, tão recente… Eu tenho que seguir em frente. Tenho que ser forte o suficiente para isso, e é exatamente o que eu estou tentando fazer. Podia ver meus lábios sendo contraídos numa tentativa falha de segurar o nervosismo… Podia ver toda a minha estrutura tentando arranjar uma maneira de impedir que a situação mexesse tanto comigo, mas coração partido é bobo. Por mais que tentasse — e olha que tentava — controlar toda essa dor que sentia, não conseguia. Fora de casa, na rua com pessoas, talvez soubesse camuflar um pouco disso; mas sozinha, no silencio escuro da noite, não havia como esconder. Derramava lágrimas e, ainda que fosse babaquice chorar por isso — era o que todos diziam — só eu sabia quanto doía; só eu sabia quanto tinha de aguentar e como era difícil. Mas sabia que tudo ia passar, que um dia não haveria mais dor. Só restava saber que dia era esse… E o quão distante ele estava do agora, do presente e do maldito adeus.

"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido"
Está aí a minha confissão ou explicação pelo motivo do qual preferi ter ido embora. Sinto saudades, mas confesso que prefiro tua lembrança boa do que um presente insatisfatório!
Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.














Sempre me deixa assim aflita,ansiosa,sem palavras.Você sempre me deixa a sensação de não acreditar muito nisso, por eu sempre deixar prevalecer o silêncio entre nós.Mas te digo que não é por falta de sentimento e sim por ser como você mesmo diz:"eu penso de mais "...E realmente está certo,acabo pensando de mais no 'fazer' e eu não faço é nada e acabo assim sem atitudes,sem palavras e sem você.